• Letícia Kawano-Dourado

Estratégia "Casa Branca": amplificando a participação feminina no ambiente profissional

Conheça a estratégia de "amplificação" usada pelas mulheres que trabalham na cúpula do poder Norte-Americano para se fazerem ouvir


É fato conhecido essa estória: durante o primeiro mandato do Presidente Obama, era tão difícil uma mulher conseguir se fazer ouvir no círculo do alto escalão do governo ou ter sua influência reconhecida nas tomadas de decisão, ao ponto que, as mulheres que lá estavam decidiram se unir e criar uma estratégia chamada "amplificação", uma forma de reverberar os pontos umas das outras durante as reuniões. Funcionava assim: se uma mulher oferecesse uma ideia e ela não tivesse sido reconhecida ou recebido o devido crédito, outra mulher reverberava a ideia ou o crédito da ideia à colega.



O Presidente Obama se encontra com assessores seniores no Salão Oval, em 26 de março de 2013. Na foto à esquerda, estão: A Conselheira Sênior Valerie Jarrett; Vice-Chefe de Pessoal de Operações, Alyssa Mastromonaco; Conselheiro do Presidente, Kathryn Ruemmler; Conselheiro do Presidente, Pete Rouse; Chefe de gabinete Denis McDonough; Vice-Chefe de Gabinete da Casa Branca para Política Rob Nabors; e vice-conselheiro sênior de comunicações e estratégia David Simas. (Foto oficial da Casa Branca por Pete Souza)

Jessica Bennett, autora do novo livro, “Clube da Luta Feminista: Um Manual de Sobrevivência no Escritório”, diz: desde simples discriminação até “preconceitos muito inconscientes”(os vieses subconscientes) explica há necessidade de uma atitude pró-ativa feminina no ambiente profissional para se fazer ouvir e receber crédito por suas ideias.

"Desde o início dos tempos, aprendemos que são os homens que lideram e as mulheres que nutrem - e, portanto, nossas estruturas de trabalho, nossos sistemas de crenças e até nossas expectativas ainda estão muito enraizadas nessa crença", disse Bennett. "Não importa o quão progressivo possamos pensar de nós mesmos, acho que a maioria de nós ainda define a liderança em termos masculinos."

E aqui no Brasil, nada diferente, certo? Pelo contrário, ao experimentar os círculos de discussão Norte-Americanos e os círculos de discussão Brasileiros (na Medicina e na Ciência Brasileiras) eu posso dizer com segurança que estamos nos primeiros passos (baby steps) dessa discussão e ação sobre equidade de gênero na Medicina e na Ciência Brasileira. Segue então um vídeo curtinho convidando as mulheres à ação em seus locais de trabalho. Mãos à obra, queridas, ainda estamos longe de uma ambiente equitativo.





Voltando à estória da Casa Branca: o clima do local de trabalho na Casa Branca mudou significativamente para melhor no segundo mandato do presidente Obama (e imagino que agora tenha piorado novamente no governo Trump), um estudo do think tank liberal New America destaca o quanto algumas barreiras estruturais ainda permanecem lá.

Mas nada de desânimo. Há esperança de mudança estrutural SIM: pelo exemplo de algumas instituições em Washington, observamos que o problema é sim solucionável basta as organizações quererem. Por ex, em 1980, 3% dos profissionais seniores do Banco Interamericano de Desenvolvimento eram do sexo feminino. Em 2005, essa participação subiu para 25%, mas cinco anos depois aumentou para 28%.


Esperamos que a técnica de “amplificação” usada na Casa Branca em breve acabe se tornando mais uma tradição obsoleta no local de trabalho - assim como máquinas de datilografia - na medida em que avançamos com equidade de gênero.


Comentários, dúvidas são bem-vindos e eu falo isso de verdade!!


As opiniões aqui veiculadas representam minha posição pessoal.


Declaração de conflitos de interesse: nenhum


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